Deslocamentos do Feminino

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Autor(es): KEHL, MARIA RITA

ISBN: 9788575595053

Sinopse:

A nova edicao de Deslocamentos do feminino chega as livrarias em um momento pertinente, em que o debate sobre genero toma corpo e a nocao de feminilidade passa por transformacoes no campo da cultura. Neste livro, a psicanalista Maria Rita Kehl questiona as relacoes que se estabelecem entre a mulher, a posicao feminina e a feminilidade na clinica psicanalitica. Existe uma diferenca irredutivel entre homens e mulheres, afinal? Partindo da defesa de uma minima diferenca, um modo de ser e de desejar atraves do qual homens e mulheres assumem papeis distintos na sociedade, a psicanalista e ganhadora do premio Jabuti pelo ensaio O tempo e o cao (2010) investiga o campo a partir do qual as mulheres se constituem como sujeitos, de modo a contribuir para amplia-lo. Publicada originalmente em 1998, a obra foi atualizada pela autora para a nova edicao e e dividida em tres partes: a primeira, sobre a constituicao da feminilidade no seculo XIX, busca a origem dos discursos aceitos ate agora como descritivos de uma natureza feminina, eterna e universal; a segunda aborda o romance de Flaubert e apresenta Emma Bovary como um paradigma da mulher freudiana, alienada nas malhas de um discurso em que seus anseios latentes nao encontram lugar ou palavra; a terceira, por fim, e dedicada as teorias freudianas sobre as mulheres e a sexualidade feminina e suas repercussoes na psicanalise contemporanea. Maria Rita examina alguns pontos da biografia de Freud e tenta entender o que o pai da psicanalise falhou em escutar nas queixas das mulheres a quem ele mesmo deu voz. Este nao e um livro sobre a historia das mulheres, embora eu tenha precisado passar por um pouco de historia para entender como se constituiram e se fixaram os discursos sobre as mulheres e a feminilidade na era moderna, diz a autora, no prefacio desta obra. Esta tampouco e uma pesquisa sobre as representacoes da mulher no Ocidente, embora eu discuta essas representacoes a partir do romance Madame Bovary, de Gustave Flaubert. Maria Rita toma a literatura como documento sobre o imaginario de uma epoca, capaz de revelar os ideais de genero nos quais Freud se baseou, ate a decada de 1930, para conceber sua teoria sobre a feminilidade e que ate hoje influencia os ideais de cura na clinica psicanalitica. Mas o que querem as mulheres? Para Freud, a cura das histericas (o mal-estar feminino por excelencia no seculo XIX) equivalia a devolve-las a mesma feminilidade da qual elas se desajustavam. Para Maria Rita, hoje podemos pensar na histeria como um feminismo espontaneo, que recusa uma identificacao com uma natureza feminina eterna e universal - ou, como propoe: se existe uma cura para as mulheres (...) ela passa pela (re)conquista do que, sendo dos homens, nao tem por que nao ser das mulheres tambem. Um penis? Nao, mas uma ou mais de suas infinitas faces, que aparecem no campo de escolhas de destino das mulheres como sujeitos sobretudo, como sujeitos desejantes.

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