SINOPSE
Quando pensei no título do livro como Ensaios, Diálogos e Epístolas achei que a ideia era genial. Fiquei muito animada, acreditava que eu estava conquistando minha liberdade com relação ao modelo academicista de escrita e das normas de uma escrita e linguagem científicas. Ledo engano, na medida em que fui produzindo os textos, comecei a refletir sobre se essa pretensão era falaciosa. Ao escrever os ensaios sentia uma estranheza e me questionava sobre demasiadas citações. Ficava na dúvida e me perguntava: poderia eu não me referir aos pensadores que primeiro apresentaram esse tema? Descobri então que existiam dois tipos de ensaios: literário e científico. Que alívio! O ensaio que eu escrevia era científico, e aí sim, é exigido as citações. Com relação aos diálogos clínicos, que escrevo desde o início da minha vida profissional, comecei a ouvir algumas críticas a essa forma de apresentar a experiência clínica. Dentre elas, que esse tipo de narrativa é uma ficção. Voltei a ficar inquieta, mas na medida em que me demorei a pensar sobre a questão, constatei que o título que dou a essas narrativas é situação clínica em debate e não casos clínicos, casos fala do lugar de uma casuística. Por fim, conclui que a minha tarefa é um ofício e como tal é transmitido na medida em que esse fazer se dá a ver. E com relação as epístolas, no auge da minha inquietação sobre o meu fazer clínico com pessoas que pensavam em suicídio, decidi perguntar a Kierkegaard, ou seja, conversar com os mortos, como o próprio filósofo sugere que façamos quando não temos as respostas para as nossas dúvidas. Escrevi para ele e confessei a minha impotência. Foi uma escrita que veio à público, em que eu pedia a iluminação de outros caminhos. Conclui então que o que escrevi não era uma carta e, sim uma epístola.
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