SINOPSE
Uma pergunta deve nos habitar sempre: qual seria o papel do analista diante do que a política estabelece como regra? Sendo a psicanálise o que tem a ver com o inconsciente, com a posição não instintual do ser humano e contra tudo que paralisa o sujeito por conta de repressões intensas – como diz Freud, ao escrever, em seu texto de 1908, sobre a moral sexual cultural –, a prática da psicanálise claramente é contrária a toda e qualquer forma de extremismo, não podendo ser passiva em relação a tudo aquilo que padroniza, reprime em demasia ou marginaliza os corpos e subjetividades; não pode se adaptar e aceitar as produções discursivas que proporcionem a fertilização de discursos de ódio e a destruição do único espaço que o sujeito tem para ser: o laço social, a cultura, a relação com o outro. O psicanalista é, com isso, literalmente, um defensor contumaz da democracia, da singularidade e da produção de caminhos que tornem possíveis as convivências com o diferente.
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